segunda-feira, 29 de junho de 2015

MTE implanta processo eletrônico nas multas do FGTS - Portaria 854/2015

Portaria publicada nesta sexta-feira define ainda que os processos se adéquem à Lei de Acesso à Informação


Brasília, 26/06/2015 - O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) implantou o processo eletrônico de multas administrativas e notificação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A mudança visa facilitar a consulta aos documentos e diminuir a duração dos procedimentos administrativos e foi determinada pela Portaria N° 854, de 2015, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (26), assinada pelo ministro Manoel Dias.
As mudanças, segundo o ministro, "fazem parte das iniciativas para ampliar a eficiência no atendimento ao cidadão, o acesso aos serviços e a diminuição de custos".
A Portaria vai também acelerar a tramitação dos processos, por meio de um instrumento chamado chancela eletrônica, que permite ao chefe da Unidade de Multas e Recursos da Superintendência Regional do Trabalho realizar uma assinatura digital, realizada automaticamente pela internet, sem comprometer as normas de segurança e controle do MTE.
Além disso, a Portaria ainda define que os processos se adéquem às determinações da Lei Nº 12.527, de 2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação. A partir de agora, por exemplo, o estabelecimento ou empresa que pelo conjunto de infrações tiver submetido trabalhadores a condições análogas a de escravidão poderá ter seu nome incluído em cadastros públicos de informação.

Assessoria de Imprensa/MTE
acs@mte.gov.br 2031.6537 

Portaria MTE Nº 854 DE 25/06/2015

Publicado no DO em 26 jun 2015
Aprova normas para a organização e tramitação dos processos de multas administrativas e de Notificação de Débito de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e/ou Contribuição Social.
O Ministro de Estado do Trabalho e Emprego, no uso de suas atribuições legais; e
Considerando a necessidade de expedir instruções para a execução do disposto no Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho, e tendo em vista o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, bem como o § 1º do art. 23 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990,
Resolve:
CAPÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO

Art. 1º Os processos administrativos de aplicação de multas e de notificação de débito do fundo de garantia e da contribuição social iniciar-se-ão com a lavratura do auto de infração e a emissão da notificação de débito de fundo de garantia do tempo de serviço e da contribuição social, respectivamente.
Art. 2º Na organização e instrução do processo administrativo, serão observados os seguintes procedimentos:
I - os autos de infração e as notificações de débito serão protocolizados no setor competente;
II - cada auto de infração ou notificação de débito originará um processo administrativo;
III - o número de protocolo será sempre o mesmo, ainda quando o processo seja remetido a outro órgão ou instância superior;
IV - as informações, despachos, termos, pareceres, documentos e demais peças do processo serão dispostos em ordem cronológica da entrada no processo, devendo ter suas páginas numeradas sequencialmente e rubricadas;
V - a remissão a qualquer documento constante de outro processo em tramitação no âmbito do MTE far-se-á mediante a indicação do número do processo e do número da folha em que se encontra, além da transcrição do teor ou juntada da cópia;
VI - nas informações e despachos, cuidar-se-á para que:
a) a escrita seja legível e em vernáculo;
b) a redação seja clara, concisa, precisa e a linguagem isenta de agressão e parcialidade;
c) conste se houve defesa e se esta foi apresentada dentro ou fora do prazo previsto.
VII - a conclusão das informações ou despachos conterá:
a) a denominação da unidade em que tem exercício o servidor, permitida a abreviatura;
b) data;
c) assinatura ou chancela eletrônica e nome do servidor com o cargo ou função.
VIII - Será disponibilizado para consulta, na página oficial do MTE, o trâmite processual de todos os processos de auto de infração.
Art. 3º Serão canceladas do processo, pela autoridade competente, expressões consideradas descorteses ou injuriosas.
Art. 4º Os atos e termos procedimentais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável a sua finalidade.
Art. 5º Os atos do processo realizados pela administração, observadas as normas de segurança e controle de uso dispostos nesta Portaria, poderão ser subscritos por chancela eletrônica, a critério do Chefe da Unidade de Multas e Recursos das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego e do Secretário de Inspeção do Trabalho.

§ 1º A chancela eletrônica deverá ser a reprodução exata de assinatura de próprio punho e descrição do nome e cargo do agente competente, com o emprego de recursos da informática.

§ 2º Fica vedada a utilização da chancela eletrônica para outros fins que não aqueles previstos no caput deste artigo.
Art. 6º Compete à Chefia da Unidade de Multas e Recursos, na primeira instância decisória, solicitar a prévia habilitação e o cadastramento da chancela eletrônica junto ao Coordenador-Geral de Recursos, bem assim requerer o imediato cancelamento, desativação ou substituição, na hipótese de afastamento ou impedimento do titular da chancela.
Art. 7º Compete ao Coordenador-Geral de Recursos, na segunda instância decisória, solicitar a prévia habilitação e o cadastramento da chancela eletrônica junto ao Secretário da Inspeção do Trabalho, bem assim requerer o imediato cancelamento, desativação ou substituição, na hipótese de afastamento ou impedimento do titular da chancela.

Parágrafo único. Para a chancela eletrônica serão habilitados apenas 02 (dois) titulares para cada unidade organizacional, devendo o responsável por cada uma destas indicar o autógrafo principal, que constará dos atos expedidos pelo sistema informatizado, salvo nas hipóteses de afastamento ou impedimento do titular, quando haverá substituição pelo autógrafo secundário.
Art. 8º Para implantação da chancela eletrônica, as imagens colhidas para os fins do § 1º, do art. 5º, serão repassadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho ao serviço de informática, ao qual compete, na operacionalização da chancela eletrônica, a adoção de medidas de segurança que confiram o restrito e o seguro manuseio dos autógrafos, estando expressamente vedado o uso destes para fins diversos daqueles relativos aos atos processuais regulados nesta portaria.
Art. 9º Compete ao titular da chancela zelar pela sua correta utilização, devendo comunicar imediatamente, por escrito, à chefia imediata quaisquer irregularidades identificadas.
Art. 10. A indevida utilização da chancela caracterizará infração funcional, a ser apurada em processo administrativo disciplinar, sem prejuízo de responsabilidade penal e civil, conforme o caso.
CAPÍTULO II
DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA NOTIFICAÇÃO DE DÉBITO DE FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

Seção I
Disposições gerais

Art. 11. O auto de infração e a notificação de débito terão suas características definidas em modelo oficial e serão preenchidos de forma indelével.
Art. 12. O auto de infração e a notificação de débito não terão seu valor probante condicionado à assinatura do infrator e de testemunhas e serão lavrados no local da inspeção, salvo motivo justificado.

Parágrafo único. Considera-se local da inspeção:
I - o local de trabalho fiscalizado;
II - as unidades do Ministério do Trabalho e Emprego;
III - qualquer outro local previamente designado pelo Auditor Fiscal do Trabalho - AFT para a exibição de documentos por parte do empregador.
Art. 13. Poderão ser apreendidos pelo AFT, conforme disciplinado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, quaisquer papéis e documentos que constituam prova material da infração.
Seção II
Do auto de infração

Art. 14. O auto de infração será lavrado em 03 (três) vias conforme modelos e instruções emitidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego e conterá, essencialmente, os seguintes elementos:
I - nome, inscrição, endereço e CEP do autuado constantes dos cadastros de pessoa física ou jurídica da Secretaria da Receita Federal do Brasil;
II - código de atividade segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE e número total de empregados de todos os estabelecimentos do autuado;
III - ementa da autuação e seu código;
IV - narrativa clara e precisa do fato caracterizado como infração, com referência às circunstâncias pertinentes, relacionando, quando tecnicamente possível, pelo menos um empregado em situação ou atividade irregular, exceto quando a lei cominar multa per capita, hipótese em que deverão ser relacionados todos os empregados em situação ou atividade irregular e o local onde ocorreu o fato, se diverso do citado no inciso I;
V - capitulação do fato mediante citação expressa do dispositivo legal infringido;
VI - elementos de convicção;
VII - ciência do prazo para apresentação de defesa e indicação do local para sua entrega;
VIII - local e data;
IX - assinatura e identificação do AFT autuante contendo nome e número de sua Carteira de Identidade Fiscal - CIF;
X - assinatura e identificação do autuado, seu representante ou preposto.

§ 1º O AFT poderá anexar ao auto de infração elementos probatórios da situação identificada, tais como cópias de documentos, fotografias e vídeos.

§ 2º Em todos os autos de infração lavrados em ação fiscal onde houver a constatação de trabalho em condições análogas às de escravo deverá conter a seguinte informação: "Diante da decisão administrativa final de procedência do auto de infração ou do conjunto de autos de infração que caracterize submissão de trabalhadores à condição análoga à de escravo estará o autuado sujeito a ter seu nome incluído em listas ou cadastros de empresas, conforme preceitos estabelecidos na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011.".
Art. 15. A omissão ou incorreção no auto de infração não acarretará sua nulidade, quando do processo constarem elementos suficientes para a caracterização da falta.

§ 1º Quando se tratar de omissão ou erro na capitulação da infração, caberá ao Chefe da Unidade de Multas e Recursos, mediante despacho saneador e antes do julgamento, corrigir a irregularidade, concedendo novo prazo à autuada para apresentar defesa.

§ 2º A constatação de mais de um tipo de irregularidade acarretará a lavratura de autos de infração distintos.
Seção III
Da notificação de débito de FGTS e da contribuição social

Art. 16. Constatado que o depósito devido ao FGTS e/ou contribuição social não foi efetuado, ou foi efetuado a menor, será expedida contra o infrator a notificação de débito de FGTS e/ou contribuição social, sem prejuízo da lavratura dos autos de infração que couberem.
Art. 17. A notificação de débito de FGTS e/ou contribuição social será emitida em 03 (três) vias e será regulada nos modelos e instruções emitidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego, devendo conter, essencialmente, os seguintes elementos:
I - nome, inscrição, endereço e CEP do autuado constantes dos cadastros de pessoa física ou jurídica da Secretaria da Receita Federal do Brasil;
II - prazo de 10 (dez) dias para recolhimento do débito ou apresentação de defesa;
III - indicação discriminativa dos débitos, por mês e ano de competência;
IV - ciência do prazo para apresentação de defesa e indicação do local para sua entrega;
V - local e data da lavratura;
VI - assinatura e identificação do notificado, seu representante ou preposto;
VII - assinatura e identificação do AFT notificante contendo nome e CIF.
Seção IV
Da destinação das vias e da entrega do auto de infração e da notificação de débito.

Art. 18. O auto de infração e a notificação de débito terão a seguinte destinação:
a) uma via será entregue no protocolo da unidade de exercício do AFT para instauração do processo administrativo, em até dois dias úteis contados de sua lavratura;
b) uma via será entregue ao empregador ou seu preposto;
c) uma via será destinada ao AFT emitente.

§ 1º Atendendo a peculiaridades ou circunstâncias locais, ou ainda a programas especiais de fiscalização, a via prevista na alínea "a" deverá ser entregue na sede onde se encontra circunscrito o empregador ou na Secretaria de Inspeção do Trabalho.

§ 2º Havendo deslocamento do AFT para fora de seu município de exercício, a entrega no protocolo ocorrerá em até dois dias úteis após o seu retorno.

§ 3º Os documentos fiscais citados acima serão preferencialmente entregues pelo AFT ao empregador ou seu representante ou preposto, podendo ser enviados por via postal com comprovante de recebimento.

§ 4º Em caso de recusa no recebimento do documento fiscal, seja pessoalmente ou por via postal, deverá tal fato ser informado no processo, a fim de que o empregador seja notificado por meio de edital a ser publicado no Diário Oficial da União.
CAPÍTULO III
DA COMPETÊNCIA

Art. 19. O julgamento do processo compete:
I - em primeira instância, aos Superintendentes Regionais do Trabalho e Emprego;
II - em segunda instância, ao Coordenador-Geral de Recursos.
Art. 20. O Superintendente Regional do Trabalho e Emprego poderá delegar matéria e poderes referentes a este normativo aos seguintes agentes administrativos:
I - Chefe da Unidade de Multas e Recursos;
II - Gerentes Regionais de Trabalho e Emprego;
III - Chefias de Fiscalização ou da Inspeção do Trabalho;
IV - demais servidores das Unidades de Multas e Recursos;
V - parte de sua competência a outros titulares, desde que servidores efetivos do órgão, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.

Parágrafo único. É vedada delegação de competência nas hipóteses do art. 13 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.
Art. 21. Compete exclusivamente aos AFT a análise dos processos e emissão de pareceres para a motivação de decisão de auto de infração e de notificação de débito de FGTS e/ou contribuição social.
CAPÍTULO IV
DA CIÊNCIA AO AUTUADO E AO NOTIFICADO

Art. 22. O autuado e o notificado serão cientificados das decisões, por escrito, mantendo-se cópia no processo, podendo a ciência ser feita:
I - pessoalmente;
II - por via postal, com aviso de recebimento, ou outro meio que assegure a ciência do interessado;
III - por meio de publicação oficial, quando o interessado estiver em local incerto e não sabido, não for encontrado ou recusarse a receber o documento.

Parágrafo único. A notificação pode ser feita ao representante ou preposto do interessado.
Art. 23. Considera-se feita a notificação:
I - pessoal, na data da ciência do interessado;
II - por via postal com aviso de recebimento ou outro meio que assegure a ciência do interessado, na data do seu recebimento;
III - por publicação oficial, 10 (dez) dias após sua publicação.

§ 1º No caso de envio postal em que o destinatário não houver preenchido a data de entrega no Aviso de Recebimento - AR será utilizada, para caracterizar a data de ciência da decisão, a data informada pela Empresa de Correios e Telégrafos.

§ 2º Todas as notificações dos autos de infração lavrados em ação fiscal onde houver a constatação de trabalho em condições análogas às de escravo deverá conter a seguinte informação: "Diante da decisão administrativa final de procedência do auto de infração ou do conjunto de autos de infração que caracterize submissão de trabalhadores à condição análoga à de escravo estará o autuado sujeito a ter seu nome incluído em listas ou cadastros de empresas, conforme preceitos estabelecidos na Lei nº 12.527 de 18 de novembro de 2011.".
CAPÍTULO V
DOS PRAZOS

Art. 24. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo-se da contagem o dia do começo e incluindo-se o do vencimento.

§ 1º Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal.

§ 2º Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo.
Art. 25. Salvo motivo de força maior devidamente comprovado, os prazos processuais não se suspendem.
CAPÍTULO VI
DO PROCESSO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA

Seção I
Início do processo

Art. 26. O processo terá início com a protocolização ou inserção eletrônica em sistema informatizado do auto de infração ou da notificação de débito.

Parágrafo único. Após a protocolização serão identificados como de tramitação prioritária, com andamento imediato, independente da ordem cronológica de entrada, os processos decorrentes de fiscalização de trabalho em condições análogas às de escravo.
Seção II
Da reincidência

Art. 27. Será considerado reincidente o empregador infrator que for autuado por infração ao mesmo dispositivo legal, antes de decorridos 02 (dois) anos da imposição de penalidade.
Seção III
Da defesa

Art. 28. A defesa, formalizada por escrito e instruída com documentos que a fundamentarem, será apresentada no endereço indicado no auto de infração ou notificação de débito, no prazo de 10 (dez) dias, contados do recebimento do auto de infração ou da notificação de débito.

§ 1º Cada auto de infração ou notificação de débito ensejará a apresentação de uma defesa.

§ 2º A defesa poderá ser remetida via postal para o endereço indicado no auto de infração ou notificação de débito no mesmo prazo do caput, sendo considerada a data de postagem como a de sua apresentação.

§ 3º Não será conhecido pela autoridade a defesa que não atenda aos requisitos:
I - tempestividade;
II - legitimidade e representação.
Art. 29. A defesa mencionará:
I - a autoridade a quem é dirigida;
II - a qualificação do interessado;
III - os motivos de fato e de direito em que se fundamentar;
IV - as diligências que o interessado pretende que sejam efetuadas.

§ 1º Os documentos apresentados em meio papel juntamente com a defesa poderão, a critério da Chefia da Unidade de Multas e Recursos, ser escaneados e gravados em mídia digital que será replicada em duas, sendo uma anexada ao processo e outra mantida como cópia de segurança na repartição, com devolução dos papéis apresentados pelo defendente.

§ 2º O servidor que efetuar a digitalização dos documentos, ao anexar a mídia digital, declarará aqueles que foram apresentados em originais e os que foram apresentados em cópias autenticadas.

§ 3º As provas e documentos, se apresentadas por cópia, deverão ser autenticadas.

§ 4º O documento em cópia oferecido para prova poderá ser declarado autêntico pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal.

§ 5º No caso de apresentação de cópias simples estas serão analisadas como elementos informativos.

§ 6º A defesa deverá ser assinada e indicar o número do auto de infração ou notificação de débito a que se refere, fazendo-se acompanhar de documentos que comprovem a legitimidade do signatário. Quando assinada por procurador legalmente constituído, será acompanhada também da respectiva procuração, que, por sua vez, se particular, deverá conter os requisitos estabelecidos no art. 654 do Código Civil.

§ 7º No caso do mandante ser pessoa jurídica é necessário que esta apresente nos autos documentação a fim de comprovar tal qualidade.

§ 8º O não atendimento às formalidades de que tratam os §§ 6º e 7º deste artigo resultará no não conhecimento da defesa, equivalendo à sua não apresentação.
Seção IV
Das Diligências e Saneamento

Art. 30. A autoridade competente determinará de ofício, ou a requerimento do interessado, a realização de diligências necessárias à apuração dos fatos, indeferindo as que considerar procrastinatórias.
Seção V
Da Decisão

Art. 31. A decisão será fundamentada, clara, precisa e objetiva, e evitará o uso de expressões vagas, códigos ou siglas, a fim de que o interessado possa, de pronto, dar-lhe cumprimento ou requerer o que couber.
Art. 32. A decisão poderá ser:
I - pela procedência total;
II - pela procedência parcial;
III - pela improcedência.
Art. 33. O interessado será cientificado:
I - das decisões do processo que resultem em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos;
II - dos despachos de saneamento ou diligência, quando forem acrescentadas informações que possam influir no seu direito de defesa, sendo-lhe reaberto o prazo de defesa.
Art. 34. As inexatidões materiais, devidas a lapso manifesto, a erros de escrita ou de cálculos, existentes na decisão, poderão ser corrigidas de ofício ou a requerimento do interessado, por mera declaração.
Seção VI
Do Cumprimento das Decisões

Art. 35. A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego dará ciência da decisão ao autuado ou notificado para recolher o valor da multa administrativa ou do débito para com o FGTS e/ou contribuição social, no prazo de 10 (dez) dias.

§ 1º A guia de recolhimento de multa obedecerá ao modelo e instruções próprias do formulário DARF, devendo obrigatoriamente conter o número do processo no campo denominado número de referência e o CNPJ do estabelecimento autuado, sendo utilizados os seguintes códigos:
a) 0289 - Multas da Legislação Trabalhista;
b) 2877 - Relação Anual de Informações Sociais - RAIS, Seguro-Desemprego e Cadastro Permanente de Admissão e Dispensa - CAGED;
c) 9207 - Contribuição Social Rescisória.

§ 2º A multa administrativa será reduzida de 50% (cinquenta por cento) se o infrator, renunciando ao recurso, a recolher no prazo de 10 (dez) dias contados do recebimento da notificação, da decisão ou da publicação do edital, observando a contagem de prazo estabelecida no art. 24 da presente Portaria.

§ 3º As guias de recolhimento do FGTS obedecerão aos modelos e instruções expedidas pela Caixa Econômica Federal.

§ 4º A existência de confissão de dívida que observe as formalidades previstas pelos órgãos competentes e que abranja integralmente o débito notificado caracteriza a procedência da notificação de débito o do termo de retificação, encerrando o contencioso administrativo com o respectivo envio do processo à Caixa Econômica Federal.
CAPÍTULO VII
DOS RECURSOS

Seção I
Do Recurso Voluntário

Art. 36. Da decisão que impuser multa administrativa ou julgar procedente total ou parcialmente a notificação de débito, caberá recurso à Coordenação-Geral de Recursos, no prazo de 10 (dez) dias, contados da notificação da decisão.
Art. 37. O recurso será interposto perante a autoridade que houver imposto a multa ou julgado a notificação de débito e conterá os mesmos requisitos da defesa, no que couber.

Parágrafo único. Não será conhecido pela autoridade de primeira instância o recurso que não atenda aos requisitos:
I - tempestividade;
II - legitimidade e representação.
Art. 38. O processo conhecido deverá ser encaminhado na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego para análise do recurso, e após ser devidamente instruído, será imediatamente encaminhado à Coordenação-Geral de Recursos da Secretaria de Inspeção do Trabalho.
Seção II
Do Recurso de Ofício

Art. 39. De toda decisão de improcedência ou procedência parcial do processo, a autoridade regional prolatora recorrerá de ofício à autoridade competente de instância superior.
CAPÍTULO VIII
DO PROCESSO EM SEGUNDA INSTÂNCIA

Art. 40. Aplica-se às decisões de segunda instância o estabelecido nos arts. 31, 32, 33 e 34 desta norma.
Art. 41. Proferida a decisão de segunda instância, os autos serão devolvidos à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego para ciência do interessado, quando couber, e para o seu cumprimento, observado, se for o caso, o disposto no art. 42 e 43.
CAPÍTULO IX
DOS PROCESSOS DE AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DE DÉBITO DE FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DISCUTIDOS NA ESFERA JUDICIAL

Art. 42. A propositura, pelo administrado, de ação anulatória ou declaratória de nulidade de auto de infração ou notificação de débito importa em renúncia ao direito de se manifestar na esfera administrativa, com consequente desistência do recurso ou defesa interposto, causando o encerramento do contencioso administrativo.

§ 1º No caso descrito no caput deverá a autoridade competente, certificar nos autos esta situação e encaminhá-lo à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ou à Caixa Econômica Federal, conforme seja o caso de auto de infração ou notificação de débito.

§ 2º Caso haja decisão judicial determinando a suspensão do feito não será aplicado o disposto no caput, devendo tal situação ser certificada no processo.
CAPÍTULO X
DA DÍVIDA PARA COM O FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO - FGTS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E DA COBRANÇA DAS MULTAS ADMINISTRATIVAS

Art. 43. O processo de notificação de débito com atendimento às formalidades legais será encaminhado à Caixa Econômica Federal, órgão este por convênio firmado com a Procuradoria da Fazenda Nacional o responsável pela inscrição em Dívida Ativa da União, após esgotados os prazos recursais para notificações de débito julgadas procedentes no todo ou em parte.
Art. 44. O processo de multas administrativas com atendimento às formalidades legais será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional após decisão definitiva que julgou pela procedência total ou parcial do auto de infração.
CAPÍTULO XI
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 45. Ao Coordenador-Geral de Recursos compete resolver os casos omissos desta Portaria.
Art. 46. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, exceção feita ao procedimento de chancela eletrônica, que entrará em vigor no prazo de 120 dias
Art. 47. Fica revogada a Portaria nº 148, de 25 de janeiro de 1996, e a Instrução Normativa nº 5, de 1996.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Fim da isenção de impostos para igrejas recebe apoio popular. O que você acha?

Mais de 20 mil pessoas apoiaram sugestão apresentada no portal e-Cidadania do Senado para acabar com a isenção de impostos para as igrejas.  Atualmente, partidos políticos, templos religiosos e entidades assistenciais e educacionais sem fins lucrativos estão isentos de pagarem impostos. Segundo dados da Receita Federal, em 2011, as entidades religiosas das mais diversas denominações arrecadaram R$ 20 bilhões. A sugestão, agora será analisada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), onde poderá virar projeto de lei. Para o senador Eduardo Amorim (PSC-SE), a iniciativa é valida, mas é preciso mais fiscalização.  Já a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) acredita que o fim da isenção poderá ser interpretada como perseguição religiosa. Ressalta, no entanto, que toda a política de isenção tributária deveria ser revista. Saiba mais na reportagem de Cinthia Bispo, da Rádio Senado.


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Fonte:Agência Senado

Cloud Fiscal: Você está preparado para o SPED em Nuvem?



Por Rafael de Andrades, analista de sistemas da Decision IT

Muito tem se destacado os benefícios da Computação em Nuvem (Cloud Computing) quanto a sua aplicação aos mais diversos negócios existentes.Todavia, além das “mágicas” vantagens que estão em evidência, é preciso conhecer profundamente a aplicabilidade, as contrapartidas e toda a perícia tecnológica necessária antes de optar por implementar a sua solução SPED em Nuvem.Estes fatores definirão o sucesso da sua Cloud Fiscal!

Afinal, o que é a Nuvem Computacional? Trata-se do consumo e da utilização de infraestrutura computacional, lógica e física, como um serviço através da internet. Traduzindo, você contrata softwares, servidores, redes virtuais, dentre outros recursos, de grandes datacenters e usufrui desta gama tecnológica por meio da sua conexão com a internet.

Abaixo, são apresentados exemplos de aplicabilidade da Nuvem sobre um dos projetos mais antigos e maduros do SPED: A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e).

Desde 2005 e com mais de 10,5 bilhões de notas fiscais eletrônicas emitidas, o projeto NF-e tornou-se operação crítica para os setores de TI das empresas contribuintes. Por exemplo, em grandes empresas do VAREJO, um grande volume de notas fiscais eletrônicas são emitidas 24 horas por dia. Como na emissão da nota em papel, o contribuinte continua obrigado a manter as notas fiscais eletrônicas armazenadas pelo período de cinco anos.Portanto, uma boa capacidade de armazenamento passa a ser necessária. É neste cenário que a Escalabilidade de uma Nuvem pode garantir a estabilidade deste processo. Ao contratar servidores em Nuvem, você terá hardware escalável prontamente disponível. Ou seja, poderá fazer upgrades instantâneos no seu ambiente acrescentando memória, poder de processamento e capacidade de armazenamento.

Como operação crítica, uma falha no ambiente de emissão de notas fiscais eletrônicas pode representar o congelamento do faturamento da empresa. Assim, é desejável ter-se Alta Disponibilidade no serviço. Replicar a sua infraestrutura é um dos métodos para atingir os 99,95% de tempo em funcionamento para que um serviço seja considerado de alta disponibilidade. Mas quanto esforço uma contingência deste nível exige para ser implantada? Muito esforço, certo? Nem tanto! Os datacenters de Nuvem possuem replicação de infraestrutura física e lógica a sua disposição de forma imediata.

Adicionalmente, esqueça a defasagem de software. A maioria das clouds mantêm seu ambiente virtual Up To Date! Traduzindo, tanto a infraestrutura de hardware quanto as versões de software são atualizadas frequentemente. Isto garante a possibilidade de manter seus sistemas rodando sempre na versão mais atualizada.

Dados os benefícios apresentados, fica uma questão: Qual o custo desta infraestrutura de ponta? A lógica nos leva a crer em um custo pouco acessível, todavia isto não é verdade. Nuvens operam com Custo On Demand. Em outras palavras, você paga somente pelas horas de utilização do serviço. Também, quanto menos recursos de software e hardware você consumir, menor será o valor/hora despendido no custeio do seu ambiente virtual.

Conhecidos os principais benefícios de uma Cloud Fiscal, devemos questionar: E se chover?

Ao mergulhar na Cloud Computing, Você deve estar preparado para atender aos requisitos que a gerência de uma Nuvem exige. Por exemplo, por mais que os serviços de Nuvem ofereçam uma usabilidade acessível aos seus clientes, você deverá dispor de uma Equipe de TI Capacitada para gerenciar esta tecnologia. Experiência e conhecimento sobre redes, tolerância a falhas e virtualização serão cruciais para uma boa administração dessa tecnologia.
 
Além disso, não se esqueça de cobrir os “Single Points of Failure”. Traduzindo, os Pontos Únicos de Falha são pontos frágeis que, em caso de falha, colapsam todo o funcionamento sistema. Em outras palavras, são os pontos que vão à contramão da sua alta disponibilidade. Para prevenir esta situação, você precisará de Contingência Interna. Não bastará a alta disponibilidade da Nuvem se a empresa ficar sem internet, sem energia ou se o único técnico que opera a Nuvem estiver ausente no momento do incidente. Nestas situações, a Nuvem estará inacessível e inoperante.

A Segurança da Informação também ganha destaque em projetos de Cloud Computing. Visto que o seu ambiente estará acessível através da internet e, tratando-se de uma implementação do projeto SPED, dados vitais e sigilosos da sua empresa estarão disponíveis a qualquer hora em qualquer parte do mundo. Por isto deve-se voltar a atenção para as boas práticas de segurança da informação em ambientes em Nuvem. São elas: Controle de Acessos, Criptografia da Comunicação, Utilização de um Firewall, uso de White e Black Lists, Registro de Logs, dentre outras.

Por fim, a Solução Fiscal que você implantará na Nuvem também está diretamente ligada à otimização do aproveitamento desta tecnologia. Há algumas características que o software escolhido deve possuir para maximizar os benefícios de uma Cloud Fiscal. Exemplificando, dentro do projeto NF-e, você deve optar por uma solução:

1. Flexível e Integrável: Escolha um software capaz de rodar sobre as plataformas mais 
difundidas, de fácil integração com sistemas ERP’s e fornecedores de bancos de dados. Isto facilitará a implantação em Nuvem porquanto, dentre as configurações disponíveis, você terá flexibilidade para implantar a que possua melhor custo/benefício.

2. Alto Desempenho: A sua solução fiscal terá um melhor aproveitamento da Escalabilidade e da Alta Disponibilidade da Nuvem se for uma aplicação voltada para alto desempenho. Por exemplo, possuir recurso nativo de Cluster computacional será um diferencial valioso.

3. Interface Web: Aplicações que rodam no navegador estão mais adaptadas à Nuvem. Além de a utilização ficar transparente ao usuário final, há uma maior segurança pois se pode publicar a aplicação na Web. Isto evita que seja necessário acessar diretamente o ambiente do servidor na Nuvem.

Benefícios
  • Escalabilidade
  • Alta Disponibilidade
  • Up To Date
  • Custo On Demand
Pontos de Atenção
  • Equipe de TI Capacitada
  • Contingência Interna
  • Segurança da Informação
  • Solução Fiscal Adequada
Deste modo, visando ao sucesso da sua Cloud Fiscal, tenha cuidado ao focar apenas os benefícios da Nuvem. Lembre-se de incluir os pontos de atenção apresentados no escopo do seu projeto. O projeto SPED é complexo, crítico. Planeje-se de forma adequada, maximize o aproveitamento desta tecnologia de ponta e obtenha os benefícios da Cloud Computing sem surpresas!

Fonte: Decision IT

quinta-feira, 25 de junho de 2015

SECRETARIA EXECUTIVA RESOLUÇÃO No – 1, DE 24 DE JUNHO DE 2015 - eSocial - Boas novidades!!!

SECRETARIA EXECUTIVA RESOLUÇÃO No – 1, DE 24 DE JUNHO DE 2015
Dispõe sobre o sistema de escrituração digital das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas (eSocial).
O Comitê Diretivo do eSocial, no uso das atribuições previstas no art. 4º do decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, e, considerando o disposto no art. 41 da consolidação das leis do trabalho, aprovada pelo decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, no art. 1º da lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, no art. 14-a da lei no 5.889, de 8 de junho de 1973, no art. 8º da lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, no art. 11 do decreto-lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, no art. 24 da lei nº 7.998 de 11 de janeiro de 1990, no art. 23 da lei nº 8.036 de 11 de maio de 1990, nos incisos i, iii e iv do caput e nos §§ 2º, 9º e 10 do art. 32 da lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nos arts. 22, 29-a e 58 da lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, no art. 9º da lei n° 9.717, de 27 de novembro de 1998, no art. 16 da lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, nos Arts. 219, 1.179 e 1.180 da lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, nos Arts. 10 e 11 da medida provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, no § 3º do art. 1º e no art. 3º da lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, no art. 4° da lei n° 12.023, de 27 de agosto de 2009, no decreto n° 97.936, de 10 de julho de 1989, no decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999 e no decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, resolve:

Art. 1º conforme disposto no decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, a implantação do eSocial se dará conforme o seguinte cronograma

I – A transmissão dos eventos do empregador com faturamento no ano de 2014 acima de r$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões reais) deverá ocorrer
a)A partir da competência setembro de 2016, obrigatoriedade de prestação de informações por meio do eSocial, exceto as relacionadas na alínea (b);
b)A partir da competência janeiro de 2017, obrigatoriedade da prestação de informação referente à tabela de ambientes de trabalho, comunicação de acidente de trabalho, monitoramento da saúde do trabalhador e condições ambientais do trabalho.
II – A transmissão dos eventos para os demais obrigados ao eSocial deverá ocorrer
a)A partir da competência janeiro de 2017, obrigatoriedade de prestação de informações por meio do eSocial, exceto as relacionadas na alínea (b);
b)A partir da competência julho de 2017, obrigatoriedade da prestação de informação referente à tabela de ambientes de trabalho, comunicação de acidente de trabalho, monitoramento da saúde do trabalhador e condições ambientais do trabalho

§ 1º O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, ao Micro Empreendedor Individual (MEI) com empregado, ao empregador doméstico, ao segurado especial e ao pequeno produtor rural pessoa física será definido em atos específicos observados os prazos previstos no caput.
§ 2º Aquele que deixar de prestar as informações no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões ficará sujeito às penalidades previstas na legislação.
§ 3º A prestação das informações ao eSocial substituirá, na forma e nos prazos regulamentados pelos órgãos integrantes do comitê gestor do eSocial, a entrega das mesmas informações em outros formulários e declarações a que estão sujeitos os obrigados ao eSocial.
Art. 2º Os órgãos e entidades integrantes do comitê gestor do eSocial regulamentarão, no âmbito de suas competências, o disposto nesta resolução.
Art. 3º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação

TARCÍSIO JOSÉ MASSOTE DE GODOY p/Ministério da Fazenda
MARCELO DE SIQUEIRA FREITAS p/Ministério da Previdência Social
FRANCISCO JOSÉ PONTES IBIAPINA p/Ministério do Trabalho e Emprego
JOSÉ CONSTANTINO BASTOS JÚNIOR p/Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República111

- See more at: http://www.spednews.com.br/06/2015/esocial-publicada-a-vigencia-oficial/#sthash.rjvR0p8L.dpuf
Gente a novidade é muito boa. O eSocial começa a tomar forma. A SECRETARIA EXECUTIVA RESOLUÇÃO No – 1, DE 24 DE JUNHO DE 2015 - trata das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas do eSocial. Ufa! Pensei que não sairia nunca!

Vamos na íntegra ao que a Resolução trata:

O Comitê Diretivo do eSocial, no uso das atribuições previstas no art. 4º do decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, e, considerando o disposto no art. 41 da consolidação das leis do trabalho, aprovada pelo decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, no art. 1º da lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, no art. 14-a da lei no 5.889, de 8 de junho de 1973, no art. 8º da lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, no art. 11 do decreto-lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, no art. 24 da lei nº 7.998 de 11 de janeiro de 1990, no art. 23 da lei nº 8.036 de 11 de maio de 1990, nos incisos i, iii e iv do caput e nos §§ 2º, 9º e 10 do art. 32 da lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nos arts. 22, 29-a e 58 da lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, no art. 9º da lei n° 9.717, de 27 de novembro de 1998, no art. 16 da lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, nos Arts. 219, 1.179 e 1.180 da lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, nos Arts. 10 e 11 da medida provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, no § 3º do art. 1º e no art. 3º da lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, no art. 4° da lei n° 12.023, de 27 de agosto de 2009, no decreto n° 97.936, de 10 de julho de 1989, no decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999 e no decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, resolve:

Art. 1º conforme disposto no decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, a implantação do eSocial se dará conforme o seguinte cronograma:

I – A transmissão dos eventos do empregador com faturamento no ano de 2014 acima de r$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões reais) deverá ocorrer:

a)A partir da competência setembro de 2016, obrigatoriedade de prestação de informações por meio do eSocial, exceto as relacionadas na alínea (b);

b)A partir da competência janeiro de 2017, obrigatoriedade da prestação de informação referente à tabela de ambientes de trabalho, comunicação de acidente de trabalho, monitoramento da saúde do trabalhador e condições ambientais do trabalho.

II – A transmissão dos eventos para os demais obrigados ao eSocial deverá ocorrer:

a)A partir da competência janeiro de 2017, obrigatoriedade de prestação de informações por meio do eSocial, exceto as relacionadas na alínea (b);

b)A partir da competência julho de 2017, obrigatoriedade da prestação de informação referente à tabela de ambientes de trabalho, comunicação de acidente de trabalho, monitoramento da saúde do trabalhador e condições ambientais do trabalho

§ 1º O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, ao Micro Empreendedor Individual (MEI) com empregado, ao empregador doméstico, ao segurado especial e ao pequeno produtor rural pessoa física será definido em atos específicos observados os prazos previstos no caput.

§ 2º Aquele que deixar de prestar as informações no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões ficará sujeito às penalidades previstas na legislação.

§ 3º A prestação das informações ao eSocial substituirá, na forma e nos prazos regulamentados pelos órgãos integrantes do comitê gestor do eSocial, a entrega das mesmas informações em outros formulários e declarações a que estão sujeitos os obrigados ao eSocial.

Art. 2º Os órgãos e entidades integrantes do comitê gestor do eSocial regulamentarão, no âmbito de suas competências, o disposto nesta resolução.

Art. 3º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação

TARCÍSIO JOSÉ MASSOTE DE GODOY p/Ministério da Fazenda
MARCELO DE SIQUEIRA FREITAS p/Ministério da Previdência Social
FRANCISCO JOSÉ PONTES IBIAPINA p/Ministério do Trabalho e Emprego
JOSÉ CONSTANTINO BASTOS JÚNIOR p/Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República

Fonte:http://www.spednews.com.br

terça-feira, 23 de junho de 2015

Afinal, houve aumento para o empregador doméstico com a Lei Complementar 150/2015?





O brasileiro tem um mania: o de reclamar sem antes se certificar da verdade dos fatos. Por que digo isto? Pelo fato que quando saiu a PEC das empregadas domésticas me vi pensando: "o governo não se emenda só cuida de aumentar os tributos sobre tudo e todos. Agora resolveu tratar sem pensar que o empregador doméstico não é uma empresa cujo faturamento só tende a aumentar". Então resolvi fazer uma análise com base em números para saber se realmente há ou não um aumento. E não é que fui surpreendida!


"PEC significa Proposta de Emenda à Constituição. É um projeto que propõe uma mudança na Constituição do Brasil. ...ela garante que os trabalhadores domésticos também tenham direitos trabalhistas".(http://explica.tumblr.com/)
"É considerado trabalhador doméstico aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial, conforme estabelecido pela Lei n.º 5.859, de 11 de dezembro de 1972. São exemplos de ocupações dos empregados domésticos: mordomo, motorista, governanta, babá, jardineiro, copeiro, arrumador, cuidador de idoso, cuidador em saúde".

Tendo como base o salário mínimo vigente em 2015. Vamos a algumas comparações:

Pela regra antiga o FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - não era obrigatório.

Regra antiga
Sem o recolhimento do FGTS
Salário
788

INSS empregado
8%
63,04
INSS empregador
12%
94,56
GPS a pagar

157,6
Fgts facultativo

0
Tota dos custos

157,6

Aqui temos que quem pagava o empregado doméstico com base no salário mínimo tinha um custo total de R$157,60 com a contratação de um empregado doméstico. Mas se o empregador optasse por pagar o FGTS -  Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - ainda teria um custo de 8% sobre o valor do salário mínimo:

Regra antiga
Com o recolhimento do FGTS
Salário
788

INSS empregado
8%
63,04
INSS empregador
12%
94,56
GPS a pagar

157,6
Fgts facultativo
8%
63,04
Tota dos custos

220,64



Neste caso o empregador demitindo o empregado doméstico, sem justa causa, ainda teria um custo de 40% sobre o FGTS recolhido.

Mas com a Lei Complementar 150/2015, de 01 de junho de 2015, a partir de outubro de 2015 as regras sofrerão algumas mudanças:

- mudança do encargo previdenciário de 12% para 8%;
- Acréscimo de 3,2% sobre o salário para fazer um poupança para pagar os 40% sobre os depósitos do FGTS, quando devido;
0,8% (oito décimos por cento) de contribuição social para financiamento do seguro contra acidentes do trabalho;

Assim, com base nestas mudanças. Vamos aos cálculos:

Nova Regra



Salário
788

INSS empregado
8%
63,04
INSS empregador
8%
63,04
SAT
0,8%
6,30
GPS a pagar

132,38
Fgts obrigatório
8%
63,04



40% Multa Rescisória
3,20%
25,22
Tota dos custos

220,64


Os cálculos demonstram que o governo, no seu papel social, ajudou ao empregador doméstico ao diminuir o encargo do INSS distribuindo a diferença para uma poupança forçada de 3,20% e uma contribuição para acidente de trabalho de 0,8%. Para quem pagava o FGTS antes da Lei Complementar 150/2015 nada mudou; entretanto, para quem não o fazia teve, sim, um aumento real.



Texto de minha autoria.

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