quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ensinar é amar, é aprender.

Esta semana tive a grata surpresa de ver uma ex empregada ser homenageada pela empresa onde hoje trabalha. Fiquei pensando em como o futuro é surpreendente. Se somos pretensos a sermos grandes ou pequenos ou se são as oportunidades que nos são dadas é que podem modificar o nosso futuro.



Aprendi a trabalhar com contabilidade com 30 anos. Foi uma daquelas sacadas de momento que temos na vida. Uma cidade pequena com carência de profissionais contábeis e  meu marido um promissor contabilista chegando nesta cidade a convite de um colega. Da abertura do escritório para sua saída da empresa foi num espaço de tempo de dois anos aproximadamente.



Em pouco tempo, assumi a gerência do escritório, ao mesmo tempo em que aprendia a exercer a minha formação em Técnica de Contabilidade. Débito e crédito era um emaranhado de conceitos sem sentido. Foi utilizando o conceito de "sombra" que aprendi tudo o que sei. As poucas empregadas que tinhamos não queriam me ensinar nada, ou não tinham tempo. Então passei a ficar nas costas delas observando todo o trabalho que faziam. Achei super simples, não havia mistérios. O programa quase que fazia tudo sozinho. Tudo que eu precisava era entender a legislação. E assim aconteceu.
Legislação - Ato de legislar -Conjunto das leis sobre determinada matéria: legislação trabalhista. Totalidade das leis de um Estado, ou de algum dos ramos do Direito: a legislação brasileira; a legislação penal.
Deste momento em diante quem escolhia as novas empregadas era eu. Preferia contratar pessoas sem a menor experiência, ensiná-las e torná-las empregadas perfeitas - como eu chamava. foi neste momento que entendi porque ninguém dava vez aos inexperientes. Treinar pessoas é algo que demanda tempo. Tempo é dinheiro. Demanda paciência, amor e dedicação. Não ter medo de passar o que sabe. entender que é através do saber que faremos e daremos sempre o melhor de nós. Desta decisão tenho lembranças boas e más. Mas nunca me arrependi de transformar pessoas. Quem trabalhava para mim, jamais seria a mesma pessoa. Aprendia a aprender. A assumir a responsabilidade pelo alheio. A amar o trabalho. Caso contrário, em uma semana ia embora.


Nunca vou esquecer de uma funcionária que ao designa-la para coordenar o setor fiscal ela simplesmente entrou em depressão. Fiquei sabendo através de seus pais que ela não iria mais trabalhar para mim. Ao questioná-la porque? Advinhem? Medo, medo de assumir o controle e mandar nas colegas. Foi uma das poucas que não pude ajudar.




A rotina na contratação era sempre a mesma, uma conversa, um olhar pessoal, uma semana de observação. O futura contratada era a "sombra" daquela que ia treiná-la. Quem a treinasse tinha que ter a paciência de ensinar tudo e de repetir quantas vezes fosse necessário o que a pupila dissesse não entender. Depois, passava a executar as tarefas, no inicio como algo automático onde o porque ia sendo dito, mas não aprendido. Num segundo momento, vinha a parte teórica. Sempre era assim, primeiro a prática, o saber fazer, depois a teoria o saber porque, como e para que. Quem um dia era pupila noutra seria a orientadora. Por este motivo elas deviam ter paciência porque com certeza quem as ensinou assim agiu.





Costumava dizer que elas ou me amariam ou me odiariam, não haveria um meio termo. Tudo o que eu queria delas "era o melhor de cada uma". Dei para elas o "melhor de mim" dei o conhecimento.


Era comum termos um momento de estudo, geralmente por volta das três horas. No ramo da contabilidade nunca paramos de estudar. Existe o que chamo por parte do governo de "Ciranda das Leis". Ha sempre uma novidade para aprender.



Outro ponto, também importante, nunca mentir. "Fez algo errado, levanta os braços não faz nada e me chama. Se não fizer assim, eu não poderei te ajudar". E mais fácil consertar algo quando sabemos o que fizemos de errado.




Ética, sempre. O material do escritório era dado pelos clientes. Então não podíamos dispor como se fosse nosso se o devido controle do que era usado. O que se ouvia lá ficava. 




Ao longo do tempo, comecei a ficar muito estressada por outros motivos. Então quando elas me viam assim, atendiam os clientes pessoalmente e não me passavam nenhuma ligação. Cada uma delas sabia com ciência seu trabalho e como responder aos questionamentos dos clientes. O argumento que eu usava era: " se eu perder o controle com o cliente, ele vai embora, indo embora eu não teria como manter o escritório e principalmente não teria como paga-las". Minhas meninas eram expert em resolver estes momentos. Sempre simpáticas e pró-ativas nas soluções
.

Enfim, amava transformar a vida desta meninas. Espero poder continuar a contribuir pelo futuro de alguém. E vejo neste blog esta possibilidade de "PASSAR TODO OS CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS ATÉ HOJE!

Darlene Maciel

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